Alex Kidd in Miracle World DX

da Brasileirão Série D

da SLOTS: 2021, através do trabalho da Merge Games, trouxe-nos um jogo que remete para os meus primeiros tempos como jogador de vídeo. Alex Kidd, que fez a sua estreia com Miracle World, corria o ano de 1986, e seria o primeiro jogo que eu jogaria na minha Master System II. Embutido na memória interna da consola, Alex podia não ter a jogabilidade precisa de Super Mario Bros, para a NES, mas era igualmente divertido. É, portanto, reconfortante assistir ao regresso deste jogo e da personagem à luz da ribalta passados mais de 30 anos.

O jogo em si é mais do que um mero update gráfico do original 8 bits. Um remake HD desse clássico da Master System, DX traz-nos mais níveis e novos desafios. Mas antes de avançarmos mais, vamos dar uma vista de olhos na história do jogo e no seu protagonista. Miracle World DX começa com a cidade de Radaxian (para ser honesto, todo o planeta de Aries) sob ameaça do maligno Janken. Este venceu o Rei Thunder e aprisionou o príncipe Egle e a sua noiva, Lora, apoderando-se portanto da cidade-estado. Com a população de Radaxian incapaz de se defender (por terem sido petrificados pelo vilão), o papel de salvador recai sobre um jovem órfão (estranhamente parecido com Egle) que habita o Mt Eternal chamado Alex Kidd. Mestre da arte marcial que dá pelo nome de Shellcore (e com isso a capacidade de destruir blocos com os punhos), Alex, cujas ligações à família real se tornaram depressa evidentes, parte de Eternal na direcção a Radaxian, com o intuito de derrotar Jake e resgatar os nobre aprisionados. Ao contrário do jogo original de 86, DX conta com mais do que um manual de papel e alguns balões de fala in screen. DX presenteia-nos com cutscenes desenhadas, nas quais a história e a sua progressão nos são relatadas.

Alex, como já foi referido acima, é mestre na arte da Shellcore e como tal esta será a sua defesa primária contra os múltiplos inimigos que lhe irão surgir pelo caminho. Ao contrário daquilo que estaríamos à espera de um jogo de plataformas, aqui saltar em cima dos adversários não trará mais do que uma morte rápida para a nossa personagem. Para tal não acontecer temos que golpear os adversários com os nossos punhos (alguns vão exigir mais do que uma pancada, como é o caso dos bosses do jogo). Essa mesma técnica servir-nos-á igualmente para destruir blocos, que nos estejam a barrar caminho ou que ocultem itens ou sacos de moedas. Estas últimas serviram para adquirirmos itens ou vidas extra sempre que encontrarmos uma loja, Estas aparecem nos inícios de alguns níveis e apresentam-nos sempre a escolha entre comprar três itens (muito reminiscente da futura casa do Toad, em Super Mario Bros III). Entre os itens que podem ser adquiridos temos: uma vida extra (representada pela imagem de Alex), a Power Bracelet (que torna os ataques de Alex em poderosas ondas de choque capazes de atravessar algumas superfícies), o Teleport Powder (que concede a Alex um curto período de intangibilidade), Cane of Flight (permite ao nosso protagonista planar por breves momentos) e muitos outros, incluindo um que permite convocar mini Alex’s para nos ajudarem . Os itens podem ser armazenados nos dois quadrados indicados no canto esquerdo do ecrã e serem reservados para uma altura oportuna para o seu uso. Contudo, convém relembrar que são de uso único.

Igualmente disponível em loja, mas variando para o nível no qual a encontrarmos, temos dois veículos que poderemos adquirir, de forma a tornar o nível mais fácil. Falo da Sukopako, uma mota extremamente veloz, que arrasa tudo (ou quase) à sua passagem, e do Peticopter, um helicóptero para as sessões shmup que este jogo também possui em grande quantidade. Se no caso da perda do Peticopter, a queda de Alex será fatal, o mesmo não acontece com a moto. A destruição desta apenas implica que Alex tenha que fazer o que reste do nível a pé. O terceiro, e último veículo, é o barco Suisui, cuja devastação atirará Alex para uma das stages aquáticas que gracejam este título. De salientar que para além dos veículos e dos power-ups, temos ainda os tesouros (itens essenciais para a progressão e conclusão do jogo) e colecionáveis (objectos que simbolizam partes da história da Sega e da Master System).

Pelos muitos e variados níveis de Miracle World, Alex irá encontrar diversos inimigos, a maioria deles facilmente destruídos pelo seu punho, mas com alguns a serem totalmente invencíveis. Esses, que surgem na figura do espectro que assombra certas caixas surpresa, na chama sentiente ou nas vinhas, devem ser evitados a todo o custo, sob pena de Alex perder uma das suas preciosas vidas. Entre os restantes adversários temos: o escorpião vermelho, morcegos, sapos, peixes , rochas, rãs, soldados do exército de Janken, entre muitos outros. Alguns deles têm as suas próprias especificidades no que à forma de os enfrentar diz respeito. Uns limitam-se a andar de um lado para o outro, enquanto que outros nos perseguem e chegam mesmo a enviar projéteis na nossa direcção.

Entre os adversários mais difíceis do jogo temos Janken (o boss final), os seus três principais generais (Parplin, Chokkinna e Gooseka), Ox (um touro descontrolado) e o Grizzly ( e o seu comparsa símio). Aos quatro primeiros, Alex terá de vencer (à melhor de três) o jogo pedra-papel-tesoura. Caso consiga fazê-lo, o nosso herói terá que sobreviver aos ataques diretos dos vilões. Algo que exige alguma agilidade, de forma a evitar a tenebrosa one hit kill, muito presente no jogo. De forma a suavizar um pouco esta dificuldade, a Merge Games dá a possibilidade de escolher vidas infinitas para o Alex e a capacidade de ver o que o adversário irá jogar no pedra-papel -tesoura (um dos aspectos mais originais do título original, ainda que de natureza semi-aleatória). Isto, combinado com o uso de checkpoints, assim como de um sistema save no modo história, tornam DX uma experiência não tão frustrante como em 1986.

Para além das plataformas e áreas de tiro, DX contém uma variedade bastante grande de puzzles para resolver (com especial ênfase na parte final do jogo). Falando de plataformas, a jogabilidade de Alex pode ser comparada à de Luigi nos jogos do Super Mario. O nosso jovem herói salta alto, mas com um controlo escorregadio, pelo que é necessário muito cuidado no salto entre plataformas ou mesmo nas fugas aos ataques adversários. DX traz-nos uma variedade de novos níveis, que adiciona aos antigos, dando-lhes um aspecto visual bastante animado, diria mesmo cartonesco (algo que assenta, e bem a este título). Temos as áreas rochosas do Mt Eternal, o deserto quente de Taiy, a cidade maravilhosa e bizarra de Radaxian,o decrépito castelo real, o pantâno tóxico de Numachi, o castelo de Nibana, os céus de Aries, o lago, o castelo e fortaleza de Janken, entre muitos outros. Cada um dos quais com o seu próprio aspecto distinto, personalidade e desafios. Cada um dos níveis pode ser conquistado (normalmente) pela obtenção de um hambúrguer (isto pode ser mudado nas opções para coisas como bolo de arroz ou outro prato), pela vitória sobre um boss ou pela mera sobrevivência.

Outro aspecto que convém também salientar é a música. Esta é a personificação do espírito alegre e colorido de DX e não poderia ser mais adequada. Ela, juntamente com todos os outros elementos do jogo pode ser recambiada para o grafismo 8 bits do original, para quem quiser matar saudades desses tempos. Igualmente, num dos outros modos secundários do jogo (o Classic Mode), o jogador pode aceder a uma versão alterada do Miracle World original (com os gráficos de 1986 e com uma boarder que imita o estilo dos cartuchos negros da Master System). Outro modo alternativo é o Boss Rush, que como o nome indica, coloca-nos frente a frente com os bosses do jogo, numa batalha singular. Ambos os modos não beneficiam das vidas infinitas do modo principal.

Em suma, DX é uma boa surpresa. Mais um grande remake de uma IP da Sega e que pode trazer nova vida a esta personagem há muito esquecida. Esperemos agora por um remake completo da sequela, Enchanted Castle ou do fantástico Shinobi World.

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Merge Games.