Grand Theft Auto: The Trilogy – The Definitive Edition

da Brasileirão Série C: Quem diria… 12 anos depois de Chinatown Wars, a série Grand Theft Auto está de regresso a uma consola Nintendo! Num pack com a remasterização de 3 jogos, GTA III, GTA Vice City e GTA San Andreas, esta promete ser uma edição definitiva. Mas estarão estes remasters à altura dos clássicos?

da cassinos online: Lançado há 20 anos para a PlayStation 2, Grand Theft Auto III foi na altura uma verdadeira revolução no mundo dos videojogos, não só por trazer a popular série do 2D para 3D com todas as suas mecânicas adaptadas e adicionar muitas outras, mas também pelo gigantesco mundo “open world” recheado de atividades, já para não falar na sua história, personagens e animações. Tudo isto marcou a indústria, bem como as expectativas dos jogadores, mas a Rockstar não ficou por aí.

Em 2002, GTA regressa com Vice City, tirando ainda melhor partido das capacidades da PS2 para um jogo com mais ação, cor e animação, numa cidade fictícia dos anos 80 recheada de gangsters, corruptos e muito dinheiro à mistura. Mas o ponto alto desta “trilogia” chega em 2004, com Grand Theft Auto: San Andreas, que além de grandes melhorias em termos visuais, melhorou também bastante em termos de jogabilidade e abordou várias questões sociais que, infelizmente, ainda permanecem atuais.

GTA San Andreas – Definitive Edition (Nintendo Switch)

Duas décadas depois, o “realismo” de outros tempos passou a meramente “retro”, com um olhar nostálgico sobre aqueles que ficaram entre os melhores da sua geração. Boa oportunidade, então para uma bela remasterização… mas não foi bem isso o que aconteceu.

A intenção era boa: em vez de simplesmente fazer “upscale” dos gráficos para a resolução das novas consolas, os próprios visuais foram também adaptados com o objetivo de os tornar mais agradáveis. Em termos artísticos, o que era então realista, passou agora a ser um pouco mais “cartoon”, evitando assim a tarefa dantesca de se refazer tudo nestes 3 mundos para acompanhar os jogos atuais. Honestamente, não haveria qualquer problema num estilo mais cartoon que, na realidade, até seria mais fiel ao artwork das capas dos jogos em questão. O problema vem, sim, da sua implementação. Naquilo que, infelizmente, já se tornou num verdadeiro “meme” desde o lançamento dos jogos, há personagens cujos modelos foram bastante maltratados, especialmente no que diz respeito a NPC’s mais secundários ou aqueles que simplesmente vão enchendo os cenários.

GTA III – Definitive Edition (Nintendo Switch)

Com isto, o jogo que mais sofre é o primeiro, o GTA III, para o qual esta remasterização o tornou visualmente pior do que o original. Sem qualquer melhoria aparente a nível de texturas, os cenários parecem apenas esticados e muitas vezes deformados. Pode mesmo parecer estranho dizer-se isto, mas basta ver alguns vídeos do original para entender. Em baixa resolução, os vários ambientes são apenas isso, tudo se integra naturalmente. Já nesta edição “definitiva”, aquilo que mais se destaca são os vértices dos objetos, polígonos gigantescos e que muitas vezes nem sequer encaixam bem entre si. Outra coisa que rapidamente salta à vista são efeitos “especiais” como a chuva, cuja adaptação a transformou numa agressiva animação de partículas brancas e quase opacas…

Já o GTA Vice City deu-se um pouco melhor com esta adaptação. Os cenários e ambientes mais coloridos, especialmente durante a noite, dão-se bem com esta estética quase “cartoon”, que também tira partido das melhores texturas no jogo original. Ao mesmo tempo, o jogo mais “luminoso” também dá maior destaque à fisionomia das personagens, tendo sido aquele em que me percebi de maiores aberrações na passagem de modelos poligonais a figuras mais curvilíneas. Outra coisa que também salta mais à vista é a baixa resolução desta versão na Nintendo Switch, mesmo quando ligada à TV.

GTA Vice City – Definitive Edition (Nintendo Switch)

Finalmente, aquele que melhor resistiu tanto à passagem do tempo, como a esta remasterização, foi mesmo o GTA San Andreas. O simples facto dos cenários serem mais ricos e preenchidos fazem com que não pareça nem tão antigo, nem tão maltratado. Ajuda o facto do ambiente ser mais “alaranjado”, sem altos contrastes, e os cenários em espaços fechados serem, também, mais detalhados. O problema com as personagens continua presente mas, da minha experiência, é o que tem menos casos estranhos – provavelmente porque na versão original também já teriam modelos mais detalhados. Também em termos de jogabilidade, é o que traz a melhor experiência, como acontecia no original.

Em geral, o grande problema desta remasterização é a sua inconsistência, especialmente de jogo para jogo. Honestamente, o primeiro título acaba por ter pior aspeto que a sua versão original, com pouco ou nenhum incentivo a jogar. Já Vice City e San Andreas aguentam melhor esta adaptação, um por ter um aspecto mais “cartoon”, o outro pelos cenários e personagens mais detalhados. Ainda assim, não há como evitar a comparação a outras adaptações de jogos antigos, que correram bastante melhor. No fim de contas, o maior problema está na decisão de vender os 3 títulos como uma só coleção, ao preço de um jogo original e atual, sem nunca transmitir a sensação de que valeu a pena o investimento. Como produtos individuais e a preços correspondentes, cada um deles teria, mesmo, um valor diferente.

Ainda assim, importa referir que a Rockstar, entretanto, está atenta à enorme lista de problemas que têm vindo a ser encontrados pelos jogadores, nas mais diversas plataformas, prometendo várias atualizações ao longo do tempo. Na Nintendo Switch, algumas dessas atualizações já foram disponibilizadas, mas de uma forma geral a experiência ainda se mantém a mesma desde o lançamento. Também por isso, a melhor opção neste momento será aguardar por novas atualizações ou uma descida de preço.

Uma remasterização “definitiva” que, infelizmente, não faz justiça aos originais…

Nota: Análise efetuada com base em código final do jogo para a Nintendo Switch, gentilmente cedido pela Nintendo.